PAN DE JAMON tradição venezuelana que ganhou espaço em Roraima-Brasil

 


Por Libia López

Com a chegada do Natal, as prateleiras de supermercados e padarias em Roraima ganham um toque especial: o pão de jamón. Este pão salgado típica da Venezuela tornou-se, nos últimos anos, uma presença indispensável nas vendas de fim de ano, refletindo não apenas a adaptação dos migrantes venezuelanos, mas também o impacto cultural e econômico que trazem ao estado.

O Pão de Jamón: Símbolo do Natal Venezuelano

Tradicionalmente preparado durante as festas natalinas, o pão de jamón é um pão, recheado com presunto, azeitonas e uvas-passas. Sua combinação única de sabores doces e salgados simboliza a união e a celebração em família.

"Na Venezuela, o pão de jamón é um dos pratos que nunca falta na mesa de Natal. Ele acompanha a famosa hallaca, uma espécie de pamonha recheada com carnes e temperos, além da salada de galinha e o pernil natalino," conta Juan Carlos Rojas, migrante venezuelano que vive em Boa Vista desde 2019. "Aqui no Brasil, fazer esse pão nos ajuda a sentir um pouco da nossa terra, além de compartilhar nossa cultura com os brasileiros."

A Receita Clássica do Pão de Jamón

Embora existam variações da receita, para quem deseje fazer o preparo clássico do pão de jamón exige atenção aos detalhes e não esqueça consultar a um venezuelano.   Aqui está a receita básica:

Ingredientes:

  • 500 g de farinha de trigo
  • 10 g de fermento biológico seco
  • 50 g de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 200 ml de leite morno
  • 50 g de manteiga derretida
  • 2 ovos
  • 250 g de presunto fatiado
  • 100 g de azeitonas verdes
  • 100 g de uvas-passas



Modo de preparo:

  • Em uma tigela, misture a farinha, o fermento, o açúcar e o sal.
  • Adicione o leite morno, a manteiga e um ovo, amassando até obter uma massa homogênea. Deixe descansar por 1 hora.
  • Abra a massa em formato retangular, coloque o presunto, as azeitonas e as uvas-passas.
  • Enrole como um rocambole, pincele com o outro ovo batido e asse em forno preaquecido a 180ºC por 30 a 40 minutos.

Uma Demanda em aumento

Desde 2018, muitos migrantes venezuelanos encontraram no pão de jamón uma forma de empreender e sustentar suas famílias. Um exemplo é o chef de padaria Alejandro Ramirez, que trabalha em Roraima desde que deixou seu país natal. "Este ano, o pão de jamón está custando entre 40 e 60 reais, dependendo do tamanho," explica Alejandro. "A demanda tem sido tão alta que começamos a receber encomendas já em novembro. É gratificante ver como o nosso pão conquistou os brasileiros."

A popularização do pão de jamón reflete não apenas o gosto pela gastronomia venezuelana, mas também a contribuição da migração para a economia local. Pequenos negócios especializados em produtos venezuelanos, como empanadas, doces típicos e arepas, surgiram em Boa Vista, fortalecendo o comércio no estado.

Impacto Social e Econômico

Além de movimentar a economia, a presença dos migrantes em Roraima tem contribuído para um ambiente de maior diversidade cultural e integração. Muitos deles abriram pequenos negócios que oferecem um gostinho de casa aos compatriotas e uma experiência gastronômica única para os brasileiros. Isso também gera empregos e fortalece a economia local.

Um dos elementos centrais da gastronomia venezuelana que se destaca em Roraima é a harina PAN, uma farinha de milho utilizada no preparo de arepas, empanadas e outros pratos. "A arepa é o coração da nossa culinária," explica Juan Carlos. "Aqui, encontramos a harina PAN em mercados locais, o que facilita trazer um pouco da nossa casa para o Brasil."

A convivência entre diferentes culturas em Roraima é um exemplo de como a migração pode trazer benefícios para ambas as partes: migrantes encontram oportunidades para reconstruir suas vidas, enquanto a comunidade local se enriquece com novas tradições e sabores.

O pão de jamón é muito mais que uma receita. Ele simboliza a resistência e a adaptação de um povo, ao mesmo tempo em que promove a troca cultural em Roraima. Neste Natal, ao saborear um pedaço deste pão, você também estará celebrando a diversidade e a união que a migração trouxe para o estado.



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